
Outro dia fui em uma festa daquelas em que todos nós já fomos ou vamos algum dia: cheia de gente que gosta de beber, zoar, conversar, namorar e todos os outros "ars". Geralmente quando vou para essas festas, meu intuito é dançar a noite inteira: desde funk a hip hop. Não bebo, não fico dando trela pra qualquer um, e não me sinto a vontade em lugares em que essa é a principal atividade. Então quando eu saio, saio para dançar. Mas eis que me enganei com essa festa, e quando cheguei nela, percebi que era exatamente aquele tipo de lugar por onde eu evito passar, por me sentir constantemente incomodada com as situações em que as pessoas se poem, sem se dar conta (ou se dando conta até demais).
A questão é que comecei a reparar no comportamento daquelas pessoas na festa, andando como as outras, se vestindo como as outras, falando como as outras, bebericando as mesmas coisas que as outras, e agindo umas como as outras. E percebi então, que esse grupo de pessoas se comportam como verdadeiras marionetes. Não sabem do que realmente gostam ou porque gostam de tal coisa; o importante, na verdade, é estar dentro dos padrões. Eu detesto os padrões, acho uma chatice. Acho um completo desrespeito consigo mesmo. Porque você vai dizer que gosta de alguma coisa, se você não gosta? Porque vai deixar de comer algo na festa, só porque as pessoas acham isso estranho? Porque vai dizer que gosta de MMA só porque todos estão assistindo? Quando você segue padrões, você não é você, você é todo mundo. Você é uma mentira. E então eu disse que não bebia. E as pessoas perguntaram o porque, alarmadas. E eu respondi que era porque eu não gostava do sabor daquilo. E as pessoas disseram que eu deveria ser menos careta. Respondi que preferia ser careta a ser um alguém com rosto distinto mas com cérebro control C + Control V. (Disse isso mentalmente para não ser desagradável). Não quero ser mais um na multidão, onde as pessoas se identificam por serem exatamente iguais as outras. Quero ser eu mesma, com todas as minhas vontades, meus gostos, meus sonhos, minha individualidade. Quero que as pessoas se identifiquem comigo por minhas contradições. Se deixarmos que os padrões interfiram em quem nós somos, viraremos um animal como outro qualquer. Completamente desprovido de escolhas.
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