Sabe quando chega uma pessoa e muda toda a sua vida. Parece que ela veio a esse mundo só pra isso, pra botar o seu de cabeça para baixo. Você se sente estranha e perdida por não saber mais quem você é, quem dirá o que esta sentindo. É uma confusão, uma mistura, e você acaba fazendo tudo que o seu "eu verdadeiro" não faria. Então você se vê apaixonada, perdidamente e completamente apaixonada, e qualquer coisa que dê errado você joga a culpa toda em si mesma. Mas não é bem assim, nesses casos a culpa nunca é somente de uma pessoa. É bilateral, afinal não se beija com uma boca só, certo? E foi a partir desse pensamento que eu parei de me culpar.
Me culpar por todos os planos que não deram certos, pelas vezes que não nos encontramos ou pelas palavras ditas por cada um de nós. Pelos planos que nem virão a ser executados. Pelos telefonemas constrangedores e a minha dignidade. Pelo seu usual contraste de escrotice e romantismo que eu odiava. Pelas lágrimas que desceram pelo meu rosto automaticamente sem ter tempo pra para-las. Pelo seu ar de superioridade e a minha incrível intensidade. Pela a minha mania de sempre aceitar o que você dizia e até mesmo pelas estrelas perderem o seu brilho quando não estávamos juntos.
Então eu percebi que estava a todo momento arrumando desculpas, sempre me incriminando. Tirando qualquer coisa errada de você, como se você fosse o meu ideal. E depois de tantas contradições eu consegui enxergar o que estava na minha frente. Vi que não sou a errada da história, sou apenas uma parte de um erro.
Texto: Milena Gomes

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